ATENÇÃO: ESTE POST TEM SPOILER. NÃO DIGAM QUE NÃO AVISEI.
A trilogia de Leila Lopes, cujos dois primeiros episódios resenhamos aqui e aqui, já tem um lugar no panteão dos épicos do cinema pornô brasileiro… do cinema brasileiro… do cinema pornô mundial… enfim, um panteão dos épicos. J. Gaspar, Carlão Bazuca, Victor Gaúcho e principalmente Leila Lopes já têm seus nomes inscritos na posteridade. “Pecado Final” tem, então, uma imensa responsabilidade de manter o padrão dos filmes anteriores. E, para complicar, não conseguiram escalar Tamiry Chiavari para o filme; estaria Yumi Saito à altura da trilogia?
Enfim, Yumi entra na história como a mulher do verdureiro; sério, não consegui pegar o nome da personagem dela. E a história do filme em si começa com a mulher do verdureiro (Yumi) chorando com Marlene (Leila), Bentinho (Carlão) e Maneco (Victor), já que o marido dela fugiu com Ruth (Tamiry); tudo isso, claro, enquanto o locutor narra a história da maneira mais inspirada possível. Ninguém precisa gastar muito fosfato para entender que, no final, a corneada mulher do verdureiro vai se consolar com o corneado Maneco; como é filme pornô, claro, a consolação é na base do sexo, em uma cena que começa em altíssima velocidade e com direito a replay de Yumi abocanhando Victor. Depois a cena vai voltando à velocidade “normal”, de “normalidade” quebrada só por DOIS vazamentos da voz do diretor, edição de áudio FAIL.
Um corte, não, um retalho na continuidade (porque continuidade is for losers) depois e somos apresentados a Leila e Yumi se agarrando, com um sax irritante, cortinas esvoaçantes saídas diretamente de comercial de sabonete, o locutor animado “com a primeira vez de Marlene com outra mulher” e… câmera lenta. Melhor, c â m e r a l e e e e e e e n t a . . . o que torna o que deveria ser uma cena clássica, bela e tudo o mais numa cena… sonolenta. E aí o espectador não nota a singela homenagem de Leila Lopes a Cláudia Ohana, nem que Leilão não cai de boca.
“Mas Cesar, o filme desceu a ladeira, então?”
Não. Felizmente não, porque o genial Carlão Bazuca finalmente entra em cena; cena esta que inicia com os pesadelos de Bentinho, onde Marlene é o diabo a tentar o seminarista que, calmamente, acorda, se ajoelha e se açoita (tá, nem tanto assim, afinal é filme) com um chicotinho; como o açoite não funcionou…
…Bentinho vai até o quarto de Marlene, passando o batom, e, enquanto a vela apaga, declara que “agora vai ser diferente” para a personagem de Leilão; logo somos informados pelo locutor que Bentinho pretende matar Marlene…
…não, claro, sem antes dar uma ultimazinha. Leila não engole, a voz do diretor vaza de novo, o que se esperava ser feito é feito e…
…no final, Bentinho esgana Marlene até matá-la de asfixia, numa cena que mostra aquilo que já vinha defendendo faz tempo: Carlão Bazuca tem tudo pra ir pra Malhação. Ou praquela novela dos mutantes da Record que, acho, até o Tiago Santiago perdeu o saco de ver. De relance, a Bia até achou que ele estava numa vibe Henri Castelli de se parecer.
E, ao ver Marlene estirada e morta, me pergunto se a Brasileirinhas terá a grande idéia de lançar uma caixa com a trilogia. Espero que tenha.


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