Os mais velhos vão lembrar da Fatos&Fotos, uma espécie de “linha auxiliar” da mais conhecida Manchete, que teve seus momentos de fama nas décadas de 60 e 70, nos anos 80 praticamente se limitou ao carnaval e acabou sumindo tal e qual todo o Grupo Bloch. Talvez essa nostalgia tenha feito Paul Snake e a Sexxxy a usarem uma piada bem tradicional em cima do título da revista como nome de filme: Fatos&Fodas – A Série.
A primeira cena traz Cleo Cadillac e Fabiane Thompson em “suruba com duas celebridades do pornô”. Fabiane é vendada por Cleo (diga-se de passagem, calçando um Loboutin falso, fato rapidamente detectado pela editora-adjunta), e só é desvendada quando, já dentro do quarto cafona escolhido pela produção para a cena, partem para se atracar com dois caras. A interação entre os dois casais demora muito para acontecer, por um bom tempo transam separadamente dividindo a mesma cama; por falar em casal, aliás, Fabiane estava mais animada que Cleo, mas ela e seu parceiro variavam menos de posição. Ambas vão tocando a cena, com uma interação aqui, uma DP na Fabiane ali, até a hora em que, finalmente, os dois rapazes terminam quase sincronizados.
A segunda cena traz Dani Matarazzo (sem silicone e com uma pequena mas visível barriguinha) em “história de dia dos namorados”. Imagina que você é um rapaz sem dinheiro, querendo levar a namorada para aquele motel bacana que ela tanto fala no Dia dos Namorados, e… dá a sorte de uma carteira recheada de dinheiro cair na sua frente. O que você faz, claro, é ligar para a namoradinha e mandar ela tomar um táxi para o motel; se o objetivo era impressionar a garota, conseguiu, já que a grana achada deu para pegar um quarto com piscina e ainda sobrou dinheiro para uma champanhota; talvez por causa disso, ela solta frases como “que romântico, champanhe e piscina!” e “você tá safado hoje, mozão!” durante as preliminares e a trepada em si.
A terceira cena traz Carlão (sim, temos quase certeza que é o próprio Carlão Bazuca!) e Belinha em “drama sexual de um desempregado sem um puto e louco por putas”. Paul Snake entendeu que Carlão é um grande talento dramático do pornô brasileiro e tratou de fazer uma cena com um início com uma estética waltersalles: o homem na estrada anda, e liga, e não consegue nada, e anda, até sentar no meio-fio de uma rua esquecida, ligar para externar os dramas da juventude brasileira que não consegue emprego e, já que está ali, vai ligar para uma acompanhante “para não perder a viagem” – quem nunca, né? Mas como o drama da juventude brasileira que só quer dar umazinha não acaba, Carlão chega no motel e espera… espera… espera… até que chega a acompanhante, e daí… bem, daí é uma cena burocrática que só me fez pensar que o Estatuto da Juventude deveria ter feito algo para ajudar o jovem brasileiro que, depois de um dia árduo à busca de emprego, vai dar umazinha com uma acompanhante.
A quarta cena traz Julia Fontinelli em “uma pescadora que é um peixão louco por vara”. Traduzindo: num quarto com tema naval, se masturba loucamente até chamar o macho e treparem animadamente. E só. Não tem nada a mais.


Comentários recentes